Visões, Viagens, Percepções

Uma mente inquieta num mundo em transformação constante e rápida. Uma criança ávida pela busca de saber melhor onde se encontra e qual seu papel nessa Grande e Divina Suruba chamada Vida!

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Percepção: Solidão

Alguém já se sentiu realmente só?

Como uma borboleta solitária a vagar por jardins alheios a procurar da mais chamativa flor, aquela que as cores brilham mais fortes em seus sensores, olhos, ou sei lá como me referir aos órgãos sensitivos de uma borboleta.

Como velhos Blues, canções recheadas com sangue e suor negro. Banzo, Solitude, Saudade, palavras que definem um sentimento tão abstrato ao ponto de não ser definido, sentir falta de, ou ato ou efeito de saudade, não sei como nosso dicionário explica com palavras. Mas a música explica com lamentos, frases lentas, refrões fortes Like a Strange Fruit, flores ao lado da orelha, o bar em silêncio, Albert Sinatra degustando a melodia e alguns copos de whisky.

Banheiros de rodoviárias fétidos como o cheiro que o inferno deve ter, prostitutas a oferecer carne crua nas ruas e bêbados sem futuro implorando por uma dose de qualquer coisa e algumas moedas.

Jornais, latas de cerveja e refrigerantes, garrafas de cachaça realizam a coreografia sinistra da noite se lambuzando de urina, água turva e asfalto, monóxido de carbono encerrando o espetáculo quando as cortinas negras descem cuspidas de um velho automóvel barulhento que conduz seu dono a mais uma entediante jornada de trabalho, que promete muita dor aos seus músculos ao findar de mais um dia.

Uma mulher derruba uma lágrima, feliz, triste, solitária, dor ou amor, ou as dores do amor. E aquele fragmento cristalino de sentimento se precipita face abaixo para percorrer todo o caminho de sua fisionomia perfeita. A lágrima de uma mulher.

Sangue! Escorre por calçadas, tinge águas de um velho lago, mancha a maciez e brancura de um algodão. Nos mantém vivos, segue seu rumo no transito caótico de nossas veias.

E nos sentimos solitários, novamente Sinatra, dessa vez envolvido com a máfia, bebendo demais e desgastando sua voz. A flor no cabelo jaz ferida e feliz, hematomas no ébano de sua pele, semem em suas entranhas, a voz calou-se, More one Strange fruit down.

“Hey Bartender! My girl left me last night! One bourboun, one scotch, one beer”

Mares verdes são todos negros em grandes profundidades. Tudo é negro em grande profundidade, em grandes altitudes também. Grandes buracos negros esperam por nós, pairando sobre nossas cabeças ou abaixo de nossos pés.

Como a grande noite que acolhe a todos. Queimamos nossas vidas como se fosse o ultimo cigarro, devagar, mas não tão devagar para que se queime sozinho, saboreamos cada tragada que aquece nossa garganta e aumenta a satisfação de um cérebro viciado.

O ultimo cigarro, a ultima tragada, ultimo sopro de morte. Sozinho, solitário.

E no fim o grande buraco negro se alinha perfeitamente sobre nossos pés.

O que vemos no momento da morte. Emagrecemos 21 gramas, segundo um filme. Mas sinceramente. Há luz no fim do túnel?

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

algo me aperta
contra o q nao quero de mim...
fecho os olhos e vejo
sempre está ali
nem tao só com essa velha
velha solidão dos dias em q a alma
se arrepia com tanta falta de si...
pelo q me lembro
Não tinha nada antes...agora tudo está aí,
pra quem quiser rir.
riam ou podem simplesmente sorrir...
e me atear com o simples toque
de um sonho q nao morreu...

8:04 AM  
Anonymous Anônimo said...

Viu pq eu disse q as vezes me sinto uma ignorante? essas comparações q vc colocou nessa mensagem me fazem refletir em muitas coisas...a reflexão vem, mas a solução, as respostas ñ! pq?

2:58 AM  

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