Visões, Viagens, Percepções

Uma mente inquieta num mundo em transformação constante e rápida. Uma criança ávida pela busca de saber melhor onde se encontra e qual seu papel nessa Grande e Divina Suruba chamada Vida!

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Percepção: Paixão

Procura-se: Injeções de ânimo intravenosas, amores platônicos regados a poesia melosa, discos raros de cantores mortos.

Oferece-se: Alguns momentos de vida, sorrisos bobos e sem motivo, frases sem sentido e apelidos imbecis que só os amantes usam (xuxu, bebe, e por aí vai)

Pequenas coisas nos fazem sentir mais completos, talvez mais nós mesmos. Nada de muito grandioso, já desisti de ser astronauta e não quero mais desfilar pelos céus em um robô gigante.

Pés descalços na relva orvalhada de uma manhã de verão, braços dados em noites frias de inverno ou as folhas que caem no outono iluminadas pelos raios avermelhados de um por do sol. Uma flor que desabroche na primavera.

Os paraísos artificiais nos possibilitam sonhar além de nossa mentalidade limitada, mas é só, sonho inconsciente induzido por substancias.

E o sorriso de uma criança na aurora de sua vida? O corpo a desnudar-se na lua cheia?

Os amantes são tolos, são tolos os apaixonados, vivem seus mundinhos cuja população se restringe a duas pessoas. São cegos a procura de um mundo que complete seu pequeno quarto de pensão sujo em um subúrbio. Ou ainda flores que floresçam no asfalto.

É tudo ilusão, egoístas solitários que ao recostar a face no perfumado travesseiro a noite se imaginam num mundo onde os rios são cristalinos, e as nuvens são algodão doce.

E da mesma forma que o amante constrói seu castelo voador um furacão o coloca no chão, o algodão doce esfacela-se em lágrimas e os cristalinos rios sofrem o efeito da química poluente da maquinaria do mundo.

Tudo ilusão, vapor barato, café pequeno, mentiras que contamos a nós mesmos e chamamos paixão. Doença degenerativa como pequenos vermes que transformam cadáveres em restos distorcidos e disformes de massa protéica, resumindo, adubo e alimento para baratas.

Talvez seja essa a chave do pensamento, somos baratas que rastejam pelos esgotos e chamamos o esgoto de lar, comemos restos e chamamos restos de banquetes, rastejamos e chamamos nosso rastejar de andar imponente.

Páreas sociais, sempre à margem, “dragão tatuado no braço”. Coração, venenos da alma que utilizamos como vícios “e não deixar mais que as cinzas de um cigarro e a marca de um abraço em seu corpo. Não, não sou eu quem vai ficar no porto chorando, não”(Jards Macalé).

E lá se vão os barcos, longe de nossos cais, correndo sem rumo mar adentro a deriva de monstros submarinos e de piratas desalmados sedentos por sangue e enriquecimento. Um tigre de papel que cai na água e se desfaz em mais uma forma deteriorada, mas que não se tornará alimento de baratas simplesmente poluirá os caudalosos rios de água cristalina.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Uau, Vrim!!! Fiquei até sem ar...
Mas quem nunca sofreu de amor, não? As vezes as coisas não acontecem por acaso...tudo faz parte de nosso aprendizado!
E paixão é uma coisa bom...mesmo qdo não somos correspondidos...concorda?
Gosto mto de vc! E torço por sua felicidade!!!
QQ coisa...tô aqui!
Bjos,
Cacá

3:32 PM  
Anonymous Anônimo said...

Vc tava indignado qdo escreveu isso! só pode...mas gostei...acho q vc tá mais machucado doq pensa estar ou pior, ignora estar.
bj

3:02 AM  

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