Mutação
O orvalho da manhã acariciava com leveza as verdes folhas.
O início da mutação natural, não uma evolução; transformação, mudança.
A mudança era o receio da pequena flor.
Via a vida desabrochando a todo momento, cadáveres que fortaleciam as raízes de sua mãe. O putrefato que gera vida.
Era assustador a sensação de se imaginar para morrer. Um rompimento muito forte que lhe causava náuseas. Medo.
A definição abstrata do medo, o sangue frio, suor gélido, o estômago carregando o peso de um engarrafamento de caminhões em metrópoles cosmopolitas.
A vida se abre ao mistério. Incerta incerteza. Seria realmente uma incerteza? Ou a certeza de mais uma peça aprontada pelos Deuses.
Se Poseidon abriu os mares aos portugueses, o fechou à Odisseu. Pobre Odisseu, tudo por sua flor. Uma flor que desabrochou na aurora dos tempos e que após findar foi colocada em um livro tecido com o couro de suas criações. A flor se tornou uma múmia seca e imortal.
Mas haviam perguntas a serem feitas. Sempre há. Os deuses possuem a onisciência, mas não o livre arbítrio. Esse é o ponto que nos nega a onisciência, podemos escolher e as escolhas não são certas, geram as dúvidas, sendo assim, somos nós os criadores, pois criamos as dúvidas e buscamos a resposta, às vezes por toda a existência e no final, nada encontramos.
Não há o que se buscar, há o que se viver.
E a vida desabrocha, o botão se converte em flor, embeleza os campos, energizando com sua fragrância todo um espaço aberto à possibilidade.
Talvez a flor apenas se preste a isso, embelezar um espaço. Mas o livre arbítrio.
Essa flor pode gerar emoções. Um amante a colhe com o coração acelerado. A entrega a sua amada, é o início do desabrochar de mais um sentimento. E aquela flor habitará para sempre a memória de seu destinatário, enfeitando o beiral de sua cama e posteriormente sendo colocada em um livro antigo no canto da estante.
Mas sua memória será eterna.
As mutações naturais, as mutações induzidas, as dúvidas naturais e as duvidas induzidas. Dúvidas transgênicas geradas no momento em que um participante da divinal suruba se perde na multidão.
A tão vasta e colorida multidão, com suas cores, raças, credos, vícios, alegrias e medos.
Observe a multidão, sinta o psicodélico caleidoscópio de experiências que somente o individual observando a coletividade é capaz de sentir.
E novamente retornamos às perguntas que nunca se explicam. As perguntas que levaram a humanidade a organizar conglomerados religiosos que vendem esperança.
Quer esperança pergunta o poeta?
“Invente-as”.
PS: Para um dia 20 de um mês de primavera nos trópicos.

6 Comments:
A gift? Pra mim?
Hum...Sabe que gosto de tudo que escreve.Muito obrigada e foi o melhor presente...Gostei muitissimo
Obrigada...
Rio sou Rio
LisBela metrópole
invade m’inalma
olhos Azuis
Mar’avilhoso rosto de um polêmico perfil
resVala eM’iM’organho
Estremecido envolvido
pelo medo & a Exuberância
escurece o tempo a luz zígara
Brilhões de segredos secretos’ Desejos mis
embrenham-se nos guetos
minha coragem minha paixão
Pessoas’ quais
UN JOUR DANS LE CIRQUE... "
Homens Mulheres
Crianças
Nesse tempo tão intemporal
tanto & Tão distante
que a ilusão se aproximava sob surpresa
& rapidamente se afastava
na indiferença e’momentos surgidos na infância
agora perdidos pela vida
"... À travers où marche oh! Amour de cette vie
que je cherche pour les heures,
où sera cette âme qui m'arrête
pour l'amant du coeur du secret?... "
***Que garantiam a permanência da mentira
No drama PINDORÂMICO
D’aquela figurante de pequeninas pernas***
Gostei muito dos dois últimos posts.
O anterior é mais denso, mais complexo, mais "enxurrada de idéias".
Este é excelente - não tão complexo quanto o outro, mas, ao meu ver, mais eficaz.
Minha humilde opinião...
Muito bom.
Clarissa
os tensos sonhos noturnos
a se confundir com
as idéias de um jardim colorido
cativo(s) da nebulosa paisagem que vislumbra(m)
dominado(s) pelo ópio
y por se'u(s) antigo(s) dogma(s) místico(s)
que o(s) inquire(m) entre o céu & o inferno.
Mãos nas mãos & na ponta da língua
o perjúrio do'salmos ate-us. Partia(m)
"... Sim já sei de onde venho...
Tudo o que tocam as minhas mãos se torna luz
e o que lanço não é mais do que carvão.
Certamente, sou uma chama!"
(Nietzsche, 1888)
líquido líquido líquido
sou água
até
meu sangue liquidar-se
na PIA
infestada
de SABONETE
&
PASTA DE DENTE
***Que garantiam a permanência da mentira
No drama PINDORÂMICO
D’aquela figurante de pequeninas pernas***
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