O ultimo filho da puta na esquina do Inferno
A casaca preta lhe servia bem.
A cartola desgastada pela ação do incessante calor ainda reservava o charme das noites de orgia nas madrugadas cosmopolitas.
Estava lá. Todos podiam vê-lo, apenas não havia ninguém para.
Em gesto certeiro sacou de sua carteira de prata, apanhou um cigarro de fumo cubano e o acendeu com seu isqueiro a querosene.
Relembrava as absintas noites de sua vida.
A morte lhe era um martírio, pouco se considerado à sua devassidão.
Visitara o inferno e o achaste mais aconchegante que as espeluncas ao norte da África.
O ópio apaziguava a vista, mas mesmo assim havia charme. Carne barata nos mercados de pulgas.
As raparigas com suas vergonhas gordinhas a vista eram uma vista tentadora para o voraz apetite daquele tão bem trajado cavalheiro.
Discutia sobre a liberdade na França, sobre uma Europa unida e desejava a cabeça de reis.
Mas seu sangue impuro destilava veneno, seus ideais não corroboravam suas atitudes.
As absintas noites, as opeáceas noites, lascivas noites de jogatinas e devassidão financiada.
Tudo que o poder pode comprar.
Os negócios prosperavam, seguia tratamento indicado por Doutor Freud. Parecia surtir algum resultado, mas as fantasias pareciam cada vez mais perigosas, trazia a memória de suas noites em seu corpo.
Tatuagens tribais da polinésia, adereços árabes e cicatrizes cravadas na brancura de sua européia pele pelas mais hábeis mãos que o dinheiro pode comprar no mundo.
As meninas francesas do Rio de Janeiro, as mouras de Bagdá, os olhos entreabertos da China, a negritude da África. Mercadorias pensantes em mercados vivos.
A última tragada.
Sob a casaca negra se esconde a frieza de uma garrafa de prata com uma pequena dose de torpor.
O ultimo pensa na vida e contempla a morte.
Estaticidade, esse é o sentido que encontra naquele momento, não procura mais o sentido da vida e encontra o da morte, ter negado todos os pecados que para ele abriram todas as portas do submundo.
Sempre gostou do submundo, sempre teve a indecência como seu leal escudeiro e o desprezo pela vida.
Lá estava ele.
Outro cigarro, o último.
Uma lágrima escorre. da face do ultimo filho da puta na esquina do inferno.

6 Comments:
Diga-me uma coisa sobre o seu processo criativo:
é tudo "fingimento", estilo Pessoa, ou é baseado em fatos reais?
Aguardo resposta.
Diga-me uma coisa sobre o seu processo criativo:
é tudo "fingimento", estilo Pessoa, ou é baseado em fatos reais?
Aguardo resposta.
Diga-me uma coisa sobre seu processo criativo: é tudo "fingimento", estilo Pessoa, ou é baseado em fatos reais?
Aguardo resposta.
Clarissa
Então vamos deixar bem claro, mister:
Gostei muito do seu texto. Eu é que não sei fazer elogios... rs
A sensação que tenho é de que o eu-lírico sente-se à margem, porém acolhido por "algo". Linguagem truncada, imagens distorcidas, descrições sobrepostas.
Meus parabéns.
Já disse que gosto dos seus escritos. E vc ainda não me explicou com todos os pingos nos "i"s o processo criativo.
Bj.
In order to know the BEGINNING
(por onde andaria su’alma gêmea?)
Saber que naquele círculo fantástico
O PICADEIRO
Entre o menino & a TIGRESA
o garoto pensava com se-us botões
sobre a dor de ser tão só
em tod’as caras de tod’os tipos
Naquele espaço cênico conviviam as magias do espetáculo
a ‘legria da platéia & a pálida fantasia do’se-us artistas
“... Clowns
acrobats
Elephants - lions
The popcorn seller...”
A mulher barbada
eterno sorriso “do dono do circo”
geometricamente figuras solitárias
pontos de 1 DESTINO
deitada ao chão sob a alcunha de “Milagres”
precisamente princesa de Bengala
Alojados em suas jaulas de grade aos olhares do medo
ou em se-us camarins sombrios DO DESEJO
http://www.fotolog.com/manu_negra/?pid=21699923
os travesseiros de penas
prisioneiras
As colchas enroladas nas coxas
contraídas
pelo desejo de 1 calor que seduz
da ponta dos pés aos fios capilares
traídas & traídos pelo brilho dos olhares
consumidos pelo gás íntimo da vida
que parte para enfrentar o dia.
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