Visões, Viagens, Percepções

Uma mente inquieta num mundo em transformação constante e rápida. Uma criança ávida pela busca de saber melhor onde se encontra e qual seu papel nessa Grande e Divina Suruba chamada Vida!

segunda-feira, maio 21, 2007

Saco cheio de sacos vazios.

É essa mesma a idéia! Estou de saco cheio.

Esse estado de saco-cheisse decorre principalmente da ausência de conteúdo da maioria dos sacos.

Há sacos loiros, morenos e até saco roxo.

Há sacos costurados por Vitton, Hercovich, Versolatto. Belos sacos digam-se de passagem.

Carros sem motores, livros sem páginas, mas esses sacos não carregam livros. São embalagens promocionais em edição limitada, somem rapidamente do mercado e algum tempo depois nem lembramos que existem.

Em muitos casos ocorrem rearranjos de funções, o belo saco que carrega uma peça de vestuário caríssimo depois de um tempo vai pro puxa-saco de pendurado atrás da porta da cozinha e é reutilizado para coisas muito importantes como por exemplo acoplar lixo na cestinha ao lado da geladeira.

Cumprem sua função social.

Ou são reciclados, após esse processo se tornam realmente úteis, poupam arvores e auxiliam na bendita auto-sustentabilidade. Mesmo que o façam de maneira inconsciente ou contra a vontade. Sacos alienados.

Minha avó dizia para minhas primas: Saco vazio não pára em pé. Nunca ouvi isso, sempre fui um glutão digno de terras Sicilianas.

Enquanto saco também tenho espaços vazios, faltam alguns toques de subjetividade lírico-amorosa, mas tento cobrir esse espaço com o lirismo-amoroso de profissionais dessa arte. Meu saco tem livros.

Há notas também, 64 por compasso e 6.0 de História do Brasil III. Há livros usados para notas, há notas que mereciam livros e há lixo produzido por adolescentes que são os estereótipos perfeitos de belos sacos vazios.

Talvez troque minha cabeça por um saco de papelão, o João deu a idéia lá no Rio. Se funcionava na aurora do século XX, por que não na madrugada do XXI?

O saco é como o papel, aceita tudo, flores para a amada, remédio, comida, paraísos artificiais, roupas caras, bálsamos maravilhosos para milagres corporais.

Aceita cor, aceita pano, aceita frases sem sentido e com sentido também.

Os sacos continuam dançando ao vento, molhando-se na chuva, ou esquecidos atrás do armário.

São criados, usados e descartados.

Tenho medo da história do saco cheio, enquanto nesse estado; útil; vazio; descartado ou relegado ao seu posto no puxa-saco.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Ah, como pode esquecer-se de mencionar sacos vazios da Kipling, ou será que estou inclusa na parte ``sacos loiros``, enfim ...Acho que não, ou melhor, espero que não. Afinal você já saiu com ``sacos loiros`` bem mais medíocres!
Como viu estou mais perto do que parece, pois é... Tenho um ódio apaixonante por você. Gostei do texto... Mas não é o Hercovich que torna o saco vazio...
O Hercovich é um atrativo do saco que já era vazio.
A culpa não é do Hercovich, nem da Kipling, Vitton ou Versolatto (nem conhecia essas, está informado, hein?)
Porque ser saco vazio depende só de você, da sua predisposição para ser um saco vazio ou não.
`` livros sem páginas, mas esses sacos não carregam livros.``
É!

12:40 AM  
Anonymous Anônimo said...

Saco...
o meu ta furado!
saco!
sempre alguma coisa escapa,
nunca sei onde caem
e sempre acabo achando
um saco.

2:14 AM  

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