Compreensões e sentimentos.
O entendimento racional de uma situação passa por ligações elétricas nervosas conduzidas por neuro-transmissores, um caótico trânsito biológico que possibilitou ao ser humano, a partir da ingestão de proteína, o desenvolvimento de massa encefálica maior e mais poderosa que o restante da fauna terrestre.
Assim atingimos o topo da cadeia alimentar e começaram todos nossos problemas.
Impossibilitado de se ver como animal, por pensar que existe, o ser humano desenvolveu relações afetivas e sociais complexas que os levaram longe de sua busca. A felicidade tornou-se incompleta, pois passou a faltar uma peça em seu quebra cabeça. Desta forma nasceu a miséria.
Criamos sentimentos que hoje a ciência busca explicar, observar, como os hormônios, os campos cerebrais e as substâncias responsáveis pela abstração dos sentimentos. Uma patologia apresenta sintomas, logo, uma doença.
Outro órgão do ser humano cresceu em demasia quando comparado aos demais animais, o umbigo, em alguns se desenvolve de tal maneira que o impossibilita a visão além dele próprio, assim nasce o egoísmo, que combinado com sentimentos abstratos de atração inter-seres torna-se uma mistura extremamente explosiva.
A maior forma de egoísmo já registrada nas espécies humanas chamaram amor, principalmente em sua fase inicial ou em seu sintoma primeiro – a paixão.
Quando somos acometidos por tal mal sentimos a necessidade de controle total do objeto desejado, ações, gestos, olhares, tudo, absolutamente tudo têm de passar ao controle da pessoa que se encontra adoentada.
Há casos em que os sintomas aparecem em dois indivíduos, o que gera um isolamento desses seres em uma realidade artificial cercada por idiotices e ações infantis.
O problema é quando os sintomas aparecem em um único individuo nesse caso o objeto de desejo torna-se alvo, não apenas de sentimentos, mas de ações que surgem em detrimento da persistente necessidade que o doente tem de exercer o controle. Perigo a vista.
O conflito é inerente a esse processo, o doente torna-se agressivo, mostra mudanças repentinas de humor, destina impropérios e insultos ao seu alvo visando atingi-lo, mas no fundo busca simplesmente uma atenção que vê desviada de sua ânsia por controle.
Assim sendo o ser humano consegue irradiar sua dor para as pessoas que o cercam, tornando-se agressivo, por vezes apresentando espécies distintas de carência.
Alguns teóricos acreditam que a condição natural do homem é a guerra, e levando essa interpretação ao micro cosmo das relações pessoais parece mesmo demonstrar acerto tal afirmativa.
Há conflitos de larga escala, batalhas estratégicas, muita diplomacia e êxtase nas ruas ao termino das hostilidades. Tudo em nome da realização do próprio ego.
Porém, interpretações de caráter não cientifico observam essa espécie de sentimentos sob uma ótica poética, transformando a proximidade do amor e a da dor em motivo para criação de canções, epopéias, romances e todo tipo de combustível intelectual. Gera inspiração que quando traduzidas em palavras podem efetivamente criar belas obras para as gerações posteriores.
O conflito tornou-se poesia e canção.
E ambos os itens acima citados são utilizados para abastecer ainda mais as terminações nervosas através da criação de imagens, situações e atos que invadem o subconsciente dos doentes levando a estágios ainda mais graves dessa patologia.
Médicos, cientistas, filósofos, boêmios, vagabundos e gênios, todo tipo de mente tentou interpretar essa patologia, que pode se tornar vicio levando o enfermo a não mais conseguir compreender sua existência sem o objeto desejado.
Posto isso, podemos concluir que tal patologia pode surgir a partir de condições ambientais, ou ainda, manifestar-se como reação a vírus, bactérias, infecções ou até predisposição genética. A pior pandemia que a humanidade assiste há milênios e que nenhuma mente conseguiu gerar a vacina.

1 Comments:
a coisa olhada por esse ângulo fica ainda mais assustadora.
Postar um comentário
<< Home