Viagem: Busca por uma Percepção.
Tudo é calmo em uma manhã dominical de uma família de descendentes de misturas étnicas nos trópicos.
Como a canção que soa chiada no rádio à pilha, como os grunhidos do velho ventilador que vê sua força se esvair devido a idade.
Os sentidos tomam sentidos adversos e não consigo direcioná-los.
A humanidade por vezes nos impede de sermos mais humanos. Acho que posso dialogar com Ginsberg no momento em que se diz encantado por anjos ou alguma nova máquina.
A angelical maquinaria seduz os limitados glóbulos oculares. E de tão limitados nos limitam à humanidade.
Tudo ao nosso redor parece ser um limitador, não que Huxley tenha atingido uma nova percepção da realidade, apenas expôs uma possibilidade.
O léxico infindável e criativo da mente humana gerado ao longo dos anos em símbolos fonéticos multifacetados que nos permitem exprimir. Sentimentos, viagens, percepções.
O homem segue com seu quebra cabeça, com seus dominós enfileirados em direção ao infinito, caindo um a um lentamente, tão sublime quanto boulevares neo-clássicos pós 1860 e coreografias que esbarram às portas da perfeição treinados à exaustão em temperaturas sub zeros nas tundras eslavas.
A humanidade se cegou pela tecnologia, mas um dia seremos tecnologicamente humanos a ponto de criarmos sentimentos.
A química imperfeita do amor, a matemática de um sorriso, a física do ato sexual. Tecnicismos abstratos que não explicam nada.
A química se reflete no toque dos amantes, as mais complexas equações vão por terra frente ao sorriso que cria calor em corações, a física fez novamente seu papel. Dê me o calculo exato da quantidade de energia gerado no momento do êxtase de uma mulher.
Nesses pequenos fragmentos de extrema abstração talvez possa crer na presença de Deus, ou não buscar o místico e entregar-me ao fato de que mais do que as explicações, os embates científicos, as publicações, estamos exercendo nosso sagrado direito de sermos humanos.
A perfeita imperfeição do livre arbítrio, a condição negada aos anjos.
Os paradoxos que criamos apenas para que possamos nos sentir uns aos outros.
O ciúme, a inveja, o desejo, o carinho, todo o leque de sentimentos abstratos que um ser pode perceber fluir por entre as entranhas da criação.
O ultimo suspiro e o primeiro choro. A vida e a morte, a consciência irracional dos sentimentos. Sabemos-nos humanos. Humanos demais para que nós mesmos possamos explicar-nos.
