Visões, Viagens, Percepções

Uma mente inquieta num mundo em transformação constante e rápida. Uma criança ávida pela busca de saber melhor onde se encontra e qual seu papel nessa Grande e Divina Suruba chamada Vida!

domingo, novembro 27, 2005

Paradoxais Percepções.

E eu rasguei sua fantasia, a força necessária para que a máscara caísse. No chão a cintilar suas lantejoulas pelo salão em meio a confetes e serpentinas, suor, bebidas e o adocicado aroma do torpor.

E rasguei suas vestes e a vi nua e cintilou sua poesia, a arquitetura de suas curvas, derrapei, errei, deleite-me em tamanho prazer, em vê-la por assim dizer, nua.

E rasguei sua carne, vislumbrei a luz de sua alma, clarão impronunciável de poesia visual, indescritível cor, caberia um neologismo, uma nova cor, incomensurável.

E rasguei sua vergonha, ouvi as vozes intimas de seus sonhos. Vi as ninfas a dançarem pelos caminhos alvos da Via Láctea.

Por fim rasguei o verbo, disse, escrevi, tentei, todo o acervo de meus símbolos lingüísticos foram usados, formei sentimentos com a ponta da esferográfica sobre a face branca de uma folha qualquer.

Perdi-me, não posso encontrar os caminhos seguidos, não vejo a luz, não sinto, nem calor nem frio, dor ou prazer, flutuo.

Minhas palavras se perderam, minhas idéias se escassearam, meus olhos, cegos, minha língua, podre, meu coração, esfacelado.

Há, ainda, uma fresta que entra pelas grades da cela. Um feixe fino, que me acerta com fúria na face enegrecida, uma esperança.

E rasguei minha dor, novamente o vento, uivando nos morros e acariciando a face como o toque suave da amada após a realização da carne.

E as ondas tocaram meus pés, tocaram minha alma e acalmaram meu coração. Uma criança construiu seu castelo e a areia se moldou em sonho.

A princesa e o bravo guerreiro viveram felizes para sempre.

Mas voltou a onda.

E tocou a areia.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Prenuncio do Excesso!!!

E vamos nós de novo. Sexta-Feira, o anúncio do apocalipse, as portas estão abertas para o genocídio de neurônios. Busquemos armas eficazes para a destruição em massa de milhões para o gozo de poucos.
Que venham as entradas, uma caipirinha, uma dose de vodka com duas pedras de gelo e que venham as dançarinas, loiras estupidamente geladas que se revezam pelo palco boemio, vão entrando, aumentando o torpor do corpo. Ah! Sensação gélida do dourado líquido a penetrar pela garganta invadindo todo o corpo, e depois, o extermínio....Adeus meus tão queridos neurônios.
Talvez a noite reserve surpresas, quem sabe uma atração sem controle, já em decorrencia da devastação mental e da lentidão dos sentidos, ou talvez armas mais eficazes que destruam ainda mais, somos modernos, utilizemos modernos métodos. Para alguns, os naturebas, que faça a natureza sua parte. Agora, nada mais destruidor que as armas químicas, conseguidas nos mercados negros, advindas do terceiro mundo para o gozo geral de uma intrépida trupe de neoróticos, solitários ou simplesmente fugitivos de si mesmos.
Mas chegou o final de semana, a debandada. É hora de acionar aquele botãozinho que todo ser humano tem escondido em alguma parte da cabeça, o famosos e famigerado botão vermelho que todos dizem para não se apertar, nosso companheiro Foda-se.
Preparados, todos juntos então, Apertem o Foda-se que o véu da noite vem cobrir de carícias as almas dos atormentados, dos boemios, dos loucos e de alguns amantes.
Ah! Minha amiga Noite, donzela gentil que a todos acolhe com seu toque frio, que esconde as psicoses, que amortiza os peitos embriagados e que aumenta a dor dos doentes.
Que venha a noite com todo seu esplendor. Estaremos nós preparados?
Bom acho que isso só o grau da ressaca de amanha vai responder. E não se esqueçam, para ressaca e amor não há remédios, apenas alguns artifícios para amenizar seus impactos.

quinta-feira, novembro 24, 2005

In a Cool Mood

Cinza, a cor do dia, cinza e branco, ainda há pássaros a entoar meoldias pelo ar, sinal de que a chuva se foi. Notas que se arrastam até quase desaparecerem mas retornam suavemente, Getz ao saxofone.
Tristes e Quentes Trópicos, visões de uma tarde bossa nova, introspectiva, a cool mood.
Poucas idéias, poucas palvras, devaneios vespertinos, um pouco sentimental.
Aliás, bem sentimental, como a melodia dos passaros e o saxofone de Getz, motivos, razões, respostas - inventadas, criadas - mas ainda sim, respostas.
Quais seriam as perguntas? Quais os motivos? Existe Razão?
Minha profissão é buscar respostas, respostas vindas de análises documentais, amareladas páginas íntimas do passado, fora isso, sem respostas, mas ainda com perguntas.
Nada de muito existencialista. De onde viemos, para onde vamos. Nada disso, coisas simples.
Por que os pássaros cantam após a chuva? Por que Jõao Gilberto tem medo de que digam ser ele desafinado? Por que temos sempre barcos que passam longe de nossos cais?
"Ah se eu fosse marinheiro" - um amor em cada porto, um sorriso em cada rosto, uma cor para cada amor e para cada cor um poema. Sim a felicidade da poligamia, ou em uma análise mais poética, um coração cujo qual em suas terras realizou-se a tão sonhada reforma agrária. Reforma agrária amorosa, um pedacinho de terra para que pessoas diferentes a cultivem, façam com que em chãos áridos floresçam as margaridas amarelas, crisântemos brancos, pêras e maçãs, formando uma colcha de retalhos colorida, onde os pássaros cantem após a chuva.
Existem opções, ou dói a todos, ou todos se realizam, mas ainda como sendo eu uma boa tentativa desastrada de poeta, tenho a obrigação de sentir tudo com intensidade, tem que doer, senão não há poesia. Malditos poetas, mas ainda bem que falam por mim, se dependesse de minhas palavras, acabariam as dores do amor. Pois não haveriam reflexos destas em belas poesias.

"E todo grande amor só é bem grande se for triste. Por isso meu amor, não tenha medo de sofrer..." (Tom & Vinicius)

PS - Trilha Sonora do Dia - Tom Jobim - Wave; Stan Getz & João Gilberto - Getz Gilberto; Frank Albert Sinatra e Antonio Carlos Jobim; Baden Powell & Vinícius de Moraes - AfroSambas.

terça-feira, novembro 22, 2005

E Viva a Burrice Musical!!!!

Legal, tarde quente de terça feira. Pra variar não fazendo nada, tá, ouvindo música e procurando letras na internet, um bom site o da Terra de Letras de Músicas tem muita coisa legal.
Agora, o que me realmente assustou foram os top 10 letras mais procuradas, preparem-se para uma dor aguda que atacará seu estômago, como atacou o meu. Here we goooo... 1 - Green Day - Wake me up when septembers end (tão tentando crescer os meninos, pena que esse tipo de coisa continua fazendo a cabeça de menininho mesmo, mas dos males o menor.) Vamos direto para o número quatro da lista, pois aqui aparece o primeiro título nacional - 4 - Babado Novo - Bola de Sabão - (poesia pura : "Pirou minha cabeça/E o coração Feito bola de sabão") Realmente é de pirar o cabeção de qualquer ser pensante por aí mesmo, acredito que a mocinha Leite, a vocalista dessa banda, daria uma contribuição muito maior à Juventude Brasileira se aceitasse um contrato da Brasileirinhas (ou qualquer outra empresa de entretenimento adulto) para filmar uma cena da gloriosa arte do sexo explicito.
Por falar nisso, vamos ao número 6 da lista, preparem-se, 6 - Boola de Fogo - Atoladinha. Não! Essa merece a letra na íntegra, nunca me deparei com tamanha sensibilidade poética, quem é Luís de Camões, com seus versos antiguados ("Não há cousa a qual natural seja/ Que não queira perpétuo o seu estado./ Não quer logo o desejo o desejado,/ Por que não falte nunca onde sobeja." - trecho de Pede o desejo, Dama, que vos veja) Coisa de velho, antiquadíssimo.
Sejamos modernos...


"Atoladinha

Bola de Fogo

Composição: Bola de fogo

Alô?
Qual é foguenta?
Quem tá falando?
Sou eu Bola De Fogo...e aê tá de bobeira hoje?
Tô...
Vamu dá um rolé na praia, mó solzão praia da Barra...
Já é..
Então vou ai ti buscar,valeu?
Valeu...
Então...Fui!!!

Pirilin, pirilin, pirilin
Alguém ligou pra mim
Pirilin, pirilin, pirilin
Alguém ligou pra mim
Quem é?
Sou eu Bola de Fogo
E o calor ta de matar
Vai ser na praia da Barra
Que uma moda eu vou lançar
Vai me enterrar na areia?
Não, não vou atolar
Vai me enterrar na areia?
Não, não vou atolar

To ficando atoladinha
To ficando atoladinha
To ficando atoladinha
Calma, calma foguentinha
[4x]"


Ó Musas que destinos reservaram à Terra de Santa Cruz? Por que nos esquecestes? Ou por que fazeis da banalidade, da pornografia, do mal gosto o gosto comum?
É! Acho que minha cabeça está atoladaça de tanta besteira e/ou burrice. Mas tudo bem, nem tudo está perdido, apenas metade. Sábio é o poeta do sertão Tião Carreiro "Mundo véio tá perdido, já não endireita mais..."
Tudo bem que amanhã muitas pessoas que conheço virão me recriminar ou me encher o saco dizendo que é cada um na sua, ou não. É, tenho quase certeza que não, por um motivo, essas pessoas não gostam de ler e acho que um texto de uma página é demais, pode acabar deixando seus neoronios "Atoladinhos".
Um antiquado.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Segunda Feira Brava

Bom Dia Tristeza
Adoniram Barbosa

"Bom dia tristeza
Que tarde tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando até meio triste

De estar tanto tempo longe de você
Se chegue tristeza
Se sente comigo
Aqui nesta mesa de bar

Beba do meu copo

Me dê o seu ombro

Que é para eu chorar

Chorar de tristeza
Tristeza de amar"

Aqueles malditos dias em que a vontade de exercer a boemia ataca de assalto. Mas o calendário aponta segunda feira.
Aqueles malditos dias em que o torpor do corpo não ameniza as dores da alma.
Um dia em que psicotrópicos não o fazem sorrir.
Que a merda do cigarro esta acabando
O quarto escuro e solitário.

Nesse malditos dias dá realmente vontade de sair cantarolando Adoniram Barbosa
"Iracema eu nuna mais ti vi. Iracema meu grande amor foi embora..."

Que direito esses poetas, musicos boemios têm de falar da minha vida. Ou será que todo mundo vive igual?
Desisto, hoje não é um bom dia para respostas.
"A felicidade é como a gota de orvalho em uma pétala de flor, brilha tranquila, depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor"

"Não posso esquecer
O teu olhar
Longe dos olhos meus
Ai, o meu viver
É de esperar
Pra te dizer adeus
Mulher amada
Destino meu
É madrugada
Sereno dos meus olhos já correu" - Lamento no Morro - Vinicius e Tom. AH e por acaso faixa 5 do disco de Maria Bethania citado abaixo.


Trilha sonora de hoje: Que falta você me faz - Maria Bethania - 2005; The Division Bell - Pink Floyd 1994; Unplugged -Lauryn Hill - 2002

Se alguem ler isso e fizer amor com essas músicas, aí sim eu serei um cara feliz.

sábado, novembro 19, 2005

Viagens Perceptivas 1.

Etéreo éter mental, caindo, caindo...cainnnnnndddooooo. Fundo no verde mar da memória.
Batida...Tum Tum Tisc tisc tisc, guitarra, violão, bateria, contrabaixo, piano, alguns metais talvez. A menina a dançar, circunferências imaginárias em movimentos quase angelicais além do espaço e tempo.
Perguntam me se acredito em Deus, pergunto se ele acredita em nós!!
A canção toca sempre em momentos certos, ou não, nada de maniqueísmos, o bem e o mal não existem, a não ser quando dançam juntos realizando a bela coreografia dos sentidos, atitudes, ou relações pré estabelecidas pelos homens, o sinal de transito avisa quando parar e avançar, as leis avisam o que pode e o que não pode, o corpo avisa quando tem fome, frio, tesão ou necessidade de repousar.
Alguém já se ateve em parar e observar a dança caótica da fumaça de cigarros, de flores multicoloridas em pores do sol invernais? É bonito e faz a vida parecer algo tão simples, tão frágil, que com um simples sopro pode desentegrar-se em figuras mutiladas pela ação humana.
O fogo é bonito também, assim como algumas gotas de água sobre uma superfície lisa, ela busca seus caminhos, não conhece obstáculos.
A estranha essência das ligações intra humanas, cérebro, coração, sangue, bombeamento do sangue pelo coração para o cérebro, tudo numa sincronia divinal e tão perfeita que nos imcomoda; há a necessidade de romper com tamta perfeição, cancer induzido, artérias entupidas, derrames, e magicamente quebramos a sincronia divinal do corpo. E para onde vamos depois? A carne para a terra, o espírito? depende da crença dessa pobre alma. Limbo, céu, Inferno, Purgatório, Umbral, Olympus, Valhalla......é longa essa lista, há tantas opções.
Prefiro acreditar que irá ficar na memória de alguns, ou de muitos, nunca se sabe, mas de alguma forma vivo, na memória ou no éter.

sexta-feira, novembro 18, 2005

Homenagem ao Querido EUA!! - Por um americano

POLÍTICA É O MESMO QUE FODER CÚ DE GATO

"Prezado senhor Bukowski:
Por que o senhor nunca escreve sobre política ou assuntos internacionais?

M. K."

"Caro M. K.:
Pra que? Feito, quais são as novas? - quem não sabe que o negócio está fervendo?"

o nosso desvario surge no meio da maior calma, enquanto se fica olhando, à procura de fios de cabelo em cima do tapete - se perguntando o que é que poderia ter acontecido, porra, pra esse pessoal inventar de explodir o carrinho cheio de jujuba, com o cartaz do marinheiro Popeye colado do lado.
Negócio seguinte: o sonho acabou e, depois, não sobrou mais nada. O resto é só marmelada pra general e banqueiro. Por falar nisso - acabo de ler que caiu outro bombardeiro dos E. U. A. carregado de bombas de Hidrogênio - DESTA vez no mar, perto da Islândia. Essa garotada anda muito descuidada com seus aviõezinhos de papel, ao mesmo tempo em que, SUPOSTAMENTE, me protege a vida. O Depto. De Estado diz que as bombas-H estavam "desarmadas". Sei lá o que significa isso. Ai então, se lê mais adiante que uma das bombas-H (perdidas) se abriu e espalhou um bocado de titica radioativa por tudo quanto é lado, ao mesmo tempo, em que supostamente me protegia a vida. MUITO EMBORA eu não tivesse pedido nenhuma proteção. A diferença entre democracia e ditadura é que, numa, primeiro a gente vota e depois cumpre ordens, ao passo que na outra não é preciso perder tempo com eleições.
Voltando à queda das bombas-H - há pouco tempo aconteceu coisa idêntica nas proximidades da ESPANHA. (estamos em tudo quanto é lugar, sempre pra proteger a vida.) mais uma vez, ficaram perdidas - êta brinquedinhos sem juízo. Levaram 3 meses - se não me engano - pra localizar e tirar a última que estava lá. Talvez tenham sido 3 anos. Essa última bomba - não é que a desgraçada inventou de ficar encravada num cômoro de areia, bem no fundo do mar? E cada vez que tentavam enganchar o troço, com o maior cuidado, se soltava e rolava mais um pouco pelo cômoro abaixo. A todas essas, aquela pobre população da cidade costeira se virava de um lado para o outro de noite na cama, imaginando que iria saltar pelos ares, por cortesia da bandeira americana. Claro que o Depto. De Estado dos E. U., em declaração oficial, garantiu que a bomba-H não dispunha de fuso de detonação, mas, enquanto isso, os ricos se mandaram pra outras paragens e os marinheiros americanos e o pessoal da cidade parecia nervoso a beça. (afinal de contas, se não fossem capazes de explodir, a troco de que andariam voando com elas por ai? Seria melhor que transportassem salames de 2 toneladas. Fuso de detonação quer dizer "faísca" ou "gatilho", sendo que "faísca" pode sair de qualquer lugar e "gatilho" significa "disparo", ou coisa semelhante, que acione o mecanismo de detonação. AGORA a palavra que usam é "desarmado", que parece oferecer maior segurança, mas no fim dá no mesmo.) seja lá como for, tentaram enganchar a bomba, mas, como se diz, a danada era dura na queda. Depois ocorreram algumas tempestades submarinas e nossa trêfega bombinha foi rolando, cada vez mais, cômoro a baixo. O mar é uma coisa insondável, bem mais que os propósitos do governo.
Por fim criaram um equipamento especial só para puxar a bomba pelo rabo e retiraram aquele troço do mar. Palomares, é isto mesmo, foi onde tudo isso aconteceu: Palomares. E sabem o que fizeram depois?
A Marinha Americana apresentou um CONCERTO DE BANDA na praça municipal para festejar o resgate da bomba - já que o troço não era perigoso então todo mundo podia se esbaldar. É, e os marinheiros tocavam e a população espanhola ia escutando, até chegarem todos a um autêntico orgasmo coletivo, um imenso desabafo sexual e espiritual. não sei que fim levou a bomba que tiraram do mar. Ninguém (a não ser raros privilegiados) tampouco sabe e a banda continuava tocando, enquanto 1.000 toneladas de camada radioativa do solo espanhol foram despachadas para Aiken, Carolina do Sul, em recipientes lacrados. Sou capaz de apostar que o preço da armazenagem em Aiken, C. S., sai mais barato.
Agora, portanto, as nossas bombas andam boiando e afundando, deladas e "desarmadas", lá pela Islândia.
O que é que se faz quando a atenção do povo se volta para questões embaraçosas? Ora, muito simples: desvia-se atenção dele para outra coisa. O povo só tem capacidade para pensar numa coisa de cada vez. Feito, espiem só, esta manchete de 23 de janeiro de 1968: B-52 CAI PERTO DA GROELÂNDIA COM BOMBAS DE HIDROGÊNIO. DINAMAQUESES PROTESTAM. Dinamarqueses protestam? Ah, minha nossa!
Seja lá como for, se repente, no dia seguinte, outra manchete: NORTE-COREANOS CAPTURAM NAVIO NA MARINHA AMERICANA.
Oba, o patriotismo voltou! Ora, já se viu? Sacana de uma figa! E eu que pensava que AQUELA guerra tinha acabado! Ah, ah, saquei - os COMUNAS! Títeres coreanos!
A legenda da telefoto da Associated Press diz mais ou menos o seguinte - O navio de reconhecimento dos E. U. Pueblo - ex-cargueiro do exército, atualmente convertido em embarcação de espionagem secreta da marinha, e que dispõe de aparelhagem monitora elétrica e equipamento oceanográfico, foi forçado a atracar no porto de Wonsan, perto da costa da Coréia do Norte.
Esses comunas, chupadores de piroca, sempre enfunerando a gente por aí!
Mas aí NOTEI que a história da bomba-H perdida tinha passado para uma coluna menor: "Radiação Detectada no Local da Queda do B-52; Rumores de Vazamento na Bomba."
Contam que o presidente foi acordado mais ou menos às 2 da madrugada para ser informado do sequestro do Pueblo.
Suponho que tenha voltado a dormir.
Os E. U. dizem que o Pueblo se achava em águas internacionais; os coreanos afirmam que ele estava em águas territoriais. Um dos países está mentindo.
De repente a gente se pergunta, mas pra que serve um navio de espionagem em águas internacionais? É o mesmo que andar de capa de chuva em dia de sol.
Quanto maior a proximidade, melhor a transmissão e a compreensão da notícia.
Manchete: 26 de janeiro de 1968: OS E. U. CONVOCAM 14.700 RESERVISTAS DA AERONÁUTICA.
As bombas-H perdidas na costa da Islândia sumiram por completo do noticiário como se o fato nunca tivesse acontecido.
Enquanto isso:
O Senador John C. Stennis (democrata, de Missouri) declarou que a decisão do presidente Johnson (a convocação de reservistas da Aeronáutica) foi "necessária e justificada", e acrescentou, "espero que não hesite em mobilizar também os contingentes de reservistas das tropas terrestres."
O líder da minoria no senado, Richard B. Russel (democrata, da Geórgia): "Em última análise, o nosso país deve exigir devolução do navio e da tripulação capturada. Afinal de contas, muita guerra importante começou com incidentes bem menos graves do que esse."
O presidente da Câmara dos Deputados, John W. McCormack (democrata, Massachussetts): "O povo americano tem que compreender que o comunismo está empenhado em conquistar o mundo. Existe um excesso de apatia em torno disso."
Se Adolph Hitler fosse vivo, acho que gostaria muito de assistir o que está se passando.
O que se pode dizer sobre política e assuntos internacionais? A situação de Berlim, a crise cubana, os aviões e navios espiões, o Vietnã, a Coréia, as bombas-H perdidas, o tumulto nas cidades americanas, a fome na Índia, os expurgos na China Vermelha? Existem bandidos e mocinhos? Quem sempre diga a verdade, quem nunca minta? Bons e maus governos? Não, existem apenas governos ruins e outros ainda piores. Haverá o clarão de luz e calor rachando a gente de cima a baixo numa noite em que se estiver trepando, cagando, lendo histórias em quadrinhos ou colando selos raros em álbum? A morte instantânea já não constitui nenhuma novidade, muito menos a morte instantânea em massa. Mas aperfeiçoamos o produto; podemos contar com séculos de conhecimento, cultura e descobertas; as bibliotecas estão aí, sempre aumentando, rodeadas e apinhadas de livros; grandes quadros são vendidos por centenas de milhares de dólares; a ciência médica já faz transplantes cardíacos; não dá pra diferenciar um louco de um são aí pelas ruas, e de repente, quando se vê, as nossas vidas dependem mais uma vez de verdadeiros idiotas. As bombas talvez nem sejam lançadas; por outro lado, talvez sejam. Uni duni, tê, salamê mim güê, um sorvete coloret...
Portanto, caros leitores, se me derem licença, vou voltar pras putas, pros cavalos e pra garrafa enquanto há tempo. Se isso contribui pra gente morrer, então, pra mim, parece bem menos repugnante ser responsável pela nossa própria morte de que qualquer outra modalidade que ande por aí, disfarçada com rótulos sobre Liberdade, Humanidade e/ou qualquer outra espécie de Papo Furado.
Primeira largada, 12 e 30. primeiro trago, já. E as putas sempre estarão por aí. Claro, Penny, Alice, Jo...
Uni, duni, tê, salamê...

BUKOWSKI, Charles; Crônica de um Amor Louco; 1967 - 72


PS1: Esse texto tem cerca de 40 anos, engraçado como parece a notícia de um jornal de hoje se soubermos substituir os devidos palhaços envolvidos.
PS2: Grifos meus.

quinta-feira, novembro 17, 2005

PUTAS.

Putas, prostitutas, concubinas, acompanhantes, chame como desejar.
Nobres donzelas que sacrificam seu corpo por diversão ou dinheiro, mais pela segunda opção creio.
Mas deteriorante não são essas guerreiras da noite e sim suas fãs que se encontram encrustadas em moças de família, se dizem respeitosas mas gostam muito mais do ofício do que as próprias operárias. Não que o gostar seja algo ruim, muito pelo contrário, mas quando me refiro a essas putas enrustidas, me dirijo a algumas mulheres que não cobram dinheiro por seus corpos, mas o prazer de ter o que falar e falam demais.
Mais perigosos do que as navalhas que muitas profissionais do sexo levam em suas bolsas pra se proteger da ignorancia machista é a navalha que muitas putas enrustidas levam em suas bocas, sua venenosa lingua.
Tomem cuidado, elas são traiçoeiras, se vestem bem, tem um sobrenome importante, ou não, mas sempre se fazem de puras, inclusive frequentando cultos religiosos aos finais de semana e até participando de grupos religiosos. Puras vadias, puritanas hipócritas que vêm no próximo o motivo de seu deleite macabro. Patricinhas, hippongas, clubbers, essas mulheres sem escrúpulos se escondem em todos os nixos, se infiltram, enfeitiçam e envenenam cravando suas presas tratadas com clareamento dentário e camufladas com caros batons e maquiagens.
Indignas de serem tratadas como legítimas mulheres, que sabem usar a sensualidade, tais seres utilizam-se de sua vulgaridade barata em benefício de uma boa fofoca ou de mais um palhaço com direito a bigodinho e oculos desenhados à lapis em suas agentas, unicas confidentes confiáveis desses seres, talvez pelo fato de agentas não terem lingua, pois se tivessem a invenenariam também.
Amo as mulheres, respeito-as, admiro-as, inclusive as putas autênticas, agora, às frustadas, à esses seres nojentos e sujos na alma, todo meu rancor. São uma verdadeira ofensa às verdadeiras MULHERES.

Cartas na Madrugada

Mais uma noite quente nos trópicos, lá fora até os grilos parecem não quererem fazer esforço por conta do sufocante calor dos trópicos em Novembro.
São nessas situações que nossos mais intimos fantasmas vêm nos visitar, às vezes só para que não nos esqueçamos deles. Sussuram palavras indecifráveis nos ouvidos que escorrem como as gotas de suor do rosto.
É angustiante tanto silencio, todos estão com suas mentes desligadas sobre os travesseiros encharcados, sonhando com um futuro, com um amor ou com alguns fantasminhas camaradas que por vezes aparecem em sonhos também.
E eu aqui, exercendo meu direito moderno de estar extremamente só e compartilhando meus devaneios com o mundo todo, ou com a parte dele que sabe que esse blog existe, ou pior ainda, com a parte que sabe que eu existo.
Mais um cigarro, esse deve ser o 25º ou 26º parei de contar quando amassei o primeiro maço, a fumaça a essa altura já é algo aspero que só serve ao propósito de abastecer meu cérebro com a quantidade de nicotina necessária ao mantenimento do me vício, não há mais o prazer do primeiro trago, mas sim tosses incessantes.
A água de minha garrafa já está em ebulição, talvez nem tanto quanto minha cabeça, mas em um processo muito próximo.
All Blue, A Kind of Blue, Miles soando baixinho ecoando pelas paredes do ouvido, emanando uma energia introspectiva no quarto cheirando a tabaco.
Madrugada onde horas se arrastam lentamente e cuja qual a brisa dessa nublada noite de Lua cheia não é capaz de amenizar o calor.
Talvez seja culpa das nuvens que obscureceram a Lua.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Brasil...Ó meu Brasil de todos os sons...


Quanto mais músicas ouço, mais me sinto um ignorante musical e muito mais agradeço por ser brasileiro. Tudo bem nós temos essas porcarias de Funk carioca moderninho, acéfalo e pornográfico, mas o que poucos sabem é que nós temos O FUNK CARIOCA, esse sim.
Adquiri, por vias ilegais, claro, um disco chamado Black Rio - Brazilian Soul Power - 1971-1980, isso sim é som, a genialidade brasileira, o swing, a capacidade de transformação de um som legitimamente negro e norte americano numa mistura energética e enfeitiçante de samba (legitimamente negro e brasileiro)...Sublime, musica brasileira de qualidade.
Para as pessoas que lêem esse blog, pelo amor de Deus, cavuquem a vala da música brasileira, visitem seus guetos e os butekos esfumaçados com prostitutas bonitas e baratas para se brincar.
Fico indignado que haja no Brasil, um país com uma inteligencia musical tão grande, tanta bossalidade musical.
Mas por outro lado, se não houvesse o ruim, nunca saberíamos o que seria o bom.
E gosto é como cu mesmo, mas tem alguns que curtem se limpar, outros.....Sorry.

terça-feira, novembro 15, 2005

Genialidade que não tenho.


Sutra do Girassol


Allen Ginsberg

Caminhei nas margens do abandonado cais de lata onde outrora descarregavam banana e fui sentar na sombra enorme de uma locomotiva lá perto para olhar e chorar o sol morrendo em ladeiras sobre as casas todas iguais.
Jack amigo Kerouac sentou-se ao lado no ferro de um mastro roto partido e a gente caiu na maior fossa do mundo, os dois ilhados, dois contidos
na rede das raízes de aço, e eu e Jack pensando os mesmos pensamentos da alma.
No rio a correnteza de óleo refletia o céu rubro, o sol caía pelas alturas finais de San Francisco, sem que houvesse peixe nessas águas, sem que houvesse um ermitão nas montanhas, só a gente com olhos de ressaca e remela, feito vagabundos, cheios de astúcia e cansaço.
Olha só um girassol, Jack então disse, e havia o vulto inerte e cinzento
seco, do tamanho de um homem, recostado num monte milenar de serragem.
- Eu pulei de alegria e era o primeiro girassol de minha vida, eram memórias
de Blake - essas visões - o Harlem e os rios do inferno-leste, sanduíches indigestos trotando um ranger de pontes, carrinhos de bebê encalhados, esquecidos
pneus de bojo negro careca, penicos & camisas-de-vênus, o poema da margem, canivetes, nada inox, só o mofo o lixo de tantas coisas cortantes cujo fio passava
para o passado - e o cinzento girassol se equilibrando ao sol-posto, desmanchando-se abatido na invasão da fuligem, da fumaça, do pó
de velhas locomotivas no olho - corola e também coroa com as pontas amassadas virando, com sementes despencando do rosto, rompendo em breves dentes um dia claro, raios de sol grudando em seu cabelo riscado como uma exangue teia de aranha de arame; caule com braços-folhas jogados, os gestos da raiz de serragem,
pedaços de reboco minando nos galinhos queimados e uma mosca estagnada no ouvido, você de fato era uma incrível coisa imprestável, ó meu girassol minha
alma, e como eu te amei então! sujeira não era parte do homem, era a parte da morte e das locomotivas humanas, simples roupa empoeirada, o simples véu da pele férrea, a cara da fumaça, as pálpebras da escura miséria, a mão ou falo ou tumor mortiço do imundo motor moderno industrificial disso tudo, o bafo da civilização poluindo tua coroa muito louca de ouro - esses turvos pensamentos de morte, a grande falta de amor em fins e olhos tapados, raízes abafadas em areia e serragem, os dólares raspantes elásticos, o couro das máquinas, as
tripas enroscadas de um carente carro que tosse, as solitárias latas baratas com línguas rotas de fora, e o que mais seja, a cinza que escorre pela boca na ereção de um charuto, a boceta de um carrinho de mão, ou os seios acesos de viaturas lácteas, o rabo gasto que as cadeiras expelem, o esfíncter dos dínamos - tudo
isso embolado nas raízes-múmias - e você aí de pé na minha na tarde da minha frente, a sua glória em sua forma!
Beleza perfeita, um girassol! uma tranqüila e girassol existência excelente e perfeita! um olho doce natural para a melancolia da lua nova, desperto vivo excitado sacando no crepúsculo sombra a brisa mensual de ouro aurora!
enquanto você lançava blasfêmias para o céu da via férrea e sua própria floralma,
quantas moscas zumbiram na sua extrema imundície sem ligar para nada?
Quando, flormortapobre, você esqueceu que é uma flor?
quando olhou sua pele e decidiu que era a velha suja locomotiva impotente? o fantasma de uma locomotiva? o espectro e sombra de uma já poderosa
locomotiva americana maluca? não, girassol, você não foi locomotiva nunca, você foi sempre um girassol! você, locomotiva, você é o motivo louco de sempre, a locomotiva! pensando isso peguei o grosso girassol esqueleto e o finquei a meu lado como um cetro fiz o meu sermão à minha alma, e também à de Jack, e tambérn à de todos que ainda queiram ouvir: Não somos a sujeira da pele, não somos nossa locomotiva medonha triste poeirenta com ausência de imagem, nós somos todos uns lindos girassóis por dentro, somos sagrados por nossas próprias sementes & peludos pelados dourados corpos de ação virando girassóis ao crepúsculo loucos girassóis formais e negros que esses olhos espiam na sombra da locomotiva maluca margem beira San ladeiras Francisco tarde de lata sol-posto sentar-se vision.

PS. Como sou um escritor medíocre, tomei a liberdade de pegar emprestado umas idéias, mas devidamente citado.

Tá Legal.....Mais Uma...

Feriadão de manhã....Um belo dia para se passear com a família no parque, churrasquinho com os amigos no almoço, ou os classicos almoços em família. Ou, uma ressaca descomunal que faz com que sinta minhas tripas querendo sair para fora.
Mas ainda me pergunto qual a pior parte, as sensações físicas típicas de excessos na noite ou a ressaca moral. Putz... essa pega. Claro, bebe, fuma, faz o que quer, infla o cabeção com neurotóxicos e desbunda a falar merda para todas as pessoas que crusarem seu caminho.
Mas o lado bom é que me recordo de minha graduação em História nas terras distantes do Arraial Bonito do Capim Mimoso, onde toda segunda exercíamos o direito de sermos boemios...
Bons tempo, uma prova de que éramos um bando de bebados mostrando para todo mundo que enquanto eles se recolhiam cedo nas noites de segunda após Tela Quente, íamos nós para os butekos e acordaríamos na terça ao meio dia com uma puta ressaca, enquanto todos que após a Tela Quente repousaram já estariam nos horários de almoço em seus decentes e respeitados trabalhos.
Hoje fiquei feliz, talvez consiga um emprego...
Que Ironia.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Penetrando

Bom cá estou eu.
Depois de me render à pirataria de Mp3, Orkut e Msn finalizo minha incursão virtual pela web com um Blog. Tá, esta faltando o Fotolog, mas aí já é demais e nem su um cara tão bonito assim.
Bom isso será uma grande viagem, no sentido abstrato da palavra. Vou falar merda, vou falar de música, de literatura e de qualquer outra coisa que essa mente tenebrosa pensar e julgar conveniente postar.
Espero que algo possa ser aproveitado.
Abraços.
Leon