Visões, Viagens, Percepções

Uma mente inquieta num mundo em transformação constante e rápida. Uma criança ávida pela busca de saber melhor onde se encontra e qual seu papel nessa Grande e Divina Suruba chamada Vida!

terça-feira, janeiro 17, 2006

Velhos Armários

Dos armários empoeirados resgatamos fragmentos do passado. Dos versos a muito esquecidos, das cartas que não mandamos, dos amores que não vivemos e das dores que tivemos.
Os armários são caixinhas de memórias que deixamos obscuras no canto do quarto de dormir. Eu também tenho meus armários, alguns ainda lacrados e acumulando restos de pele que trocamos durante o passar das horas, outros sendo abertos.
Senhoras e Senhores, alguns velhos papéis de meus cantos esquecidos.

O amor não é uma construção metafísica,

O amor não é mercadoria,

O amor é areia fina

Que passa por nossos dedos sem que possamos agarra-la.

O amor é carne...

É sonho difuso em noite tempestuosa

Contraditórios sentimentos

Miscelânia...

Sentidos em um mesmo sentido.

E quando fere ao seu amor

Fere-se a si mesmo.

Quando chora o amor

Chora a alma...

A alma do amante.

A noite dos meus amores é hoje a noite dos meus tormentos. São visões disformes no torpor da dor e do desconforto. Mesmo o aconchego fraterno do lar é incapaz sanar as duvidas inquietas que circulam nos pensamentos mais desesperados de incapacidade.

Uma melodia singela nos ouvidos sujos não é mais o suficiente para acalentar um coração tão descompassado de uma mente incerta.

Palavras escarradas na madrugada como as belas prostitutas sujas que vagueiam nas ruas umedecidas de uma metrópole sem se perguntarem os porquês e somente aguardando o banco frio do próximo automóvel que vagueia na escuridão.

Como entender mudanças tão severas em tempos tão curtos. Tantas são as dúvidas que o fazem perseverar com a solidão escura do quarto de dormir.

A ausência completa do sono em noites de um inverno tropical seco e quente.

Paisagens psicodélicas que rodopiam em êxtase caótico nas entranhas nocivas do desespero e das inquietações infantis de uma mente ainda mais inquieta. São os sonhos que temos de olhos abertos os piores de serem sonhados, pois, estes nos negam o prazer do despertar para a realidade, são esses os sonhos reais que nos fazem chorar. Lágrimas incontroláveis e por vezes imperceptíveis que escorrem e se confundem com o suor frio da face dos desesperados, dos solitários.

A Fragilidade das construções humanas. A solides que se desvai pelos ares secos dos trópicos.

Efemeridade já por tantas vezes cantada, declamada para os artíficies escravos de si mesmos, que não se possibilitam a luta, reerguer-se das sombras melancólicas da noite.


Ps: Não tentem descobrir pessoas, circunstâncias ou motivos, são apenas fragmentos de folhas amareladas entulhadas nos velhos armários.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Percepção: Paixão

Procura-se: Injeções de ânimo intravenosas, amores platônicos regados a poesia melosa, discos raros de cantores mortos.

Oferece-se: Alguns momentos de vida, sorrisos bobos e sem motivo, frases sem sentido e apelidos imbecis que só os amantes usam (xuxu, bebe, e por aí vai)

Pequenas coisas nos fazem sentir mais completos, talvez mais nós mesmos. Nada de muito grandioso, já desisti de ser astronauta e não quero mais desfilar pelos céus em um robô gigante.

Pés descalços na relva orvalhada de uma manhã de verão, braços dados em noites frias de inverno ou as folhas que caem no outono iluminadas pelos raios avermelhados de um por do sol. Uma flor que desabroche na primavera.

Os paraísos artificiais nos possibilitam sonhar além de nossa mentalidade limitada, mas é só, sonho inconsciente induzido por substancias.

E o sorriso de uma criança na aurora de sua vida? O corpo a desnudar-se na lua cheia?

Os amantes são tolos, são tolos os apaixonados, vivem seus mundinhos cuja população se restringe a duas pessoas. São cegos a procura de um mundo que complete seu pequeno quarto de pensão sujo em um subúrbio. Ou ainda flores que floresçam no asfalto.

É tudo ilusão, egoístas solitários que ao recostar a face no perfumado travesseiro a noite se imaginam num mundo onde os rios são cristalinos, e as nuvens são algodão doce.

E da mesma forma que o amante constrói seu castelo voador um furacão o coloca no chão, o algodão doce esfacela-se em lágrimas e os cristalinos rios sofrem o efeito da química poluente da maquinaria do mundo.

Tudo ilusão, vapor barato, café pequeno, mentiras que contamos a nós mesmos e chamamos paixão. Doença degenerativa como pequenos vermes que transformam cadáveres em restos distorcidos e disformes de massa protéica, resumindo, adubo e alimento para baratas.

Talvez seja essa a chave do pensamento, somos baratas que rastejam pelos esgotos e chamamos o esgoto de lar, comemos restos e chamamos restos de banquetes, rastejamos e chamamos nosso rastejar de andar imponente.

Páreas sociais, sempre à margem, “dragão tatuado no braço”. Coração, venenos da alma que utilizamos como vícios “e não deixar mais que as cinzas de um cigarro e a marca de um abraço em seu corpo. Não, não sou eu quem vai ficar no porto chorando, não”(Jards Macalé).

E lá se vão os barcos, longe de nossos cais, correndo sem rumo mar adentro a deriva de monstros submarinos e de piratas desalmados sedentos por sangue e enriquecimento. Um tigre de papel que cai na água e se desfaz em mais uma forma deteriorada, mas que não se tornará alimento de baratas simplesmente poluirá os caudalosos rios de água cristalina.