Visões, Viagens, Percepções

Uma mente inquieta num mundo em transformação constante e rápida. Uma criança ávida pela busca de saber melhor onde se encontra e qual seu papel nessa Grande e Divina Suruba chamada Vida!

terça-feira, julho 21, 2009

Compreensões e sentimentos.

O entendimento racional de uma situação passa por ligações elétricas nervosas conduzidas por neuro-transmissores, um caótico trânsito biológico que possibilitou ao ser humano, a partir da ingestão de proteína, o desenvolvimento de massa encefálica maior e mais poderosa que o restante da fauna terrestre.

Assim atingimos o topo da cadeia alimentar e começaram todos nossos problemas.

Impossibilitado de se ver como animal, por pensar que existe, o ser humano desenvolveu relações afetivas e sociais complexas que os levaram longe de sua busca. A felicidade tornou-se incompleta, pois passou a faltar uma peça em seu quebra cabeça. Desta forma nasceu a miséria.

Criamos sentimentos que hoje a ciência busca explicar, observar, como os hormônios, os campos cerebrais e as substâncias responsáveis pela abstração dos sentimentos. Uma patologia apresenta sintomas, logo, uma doença.

Outro órgão do ser humano cresceu em demasia quando comparado aos demais animais, o umbigo, em alguns se desenvolve de tal maneira que o impossibilita a visão além dele próprio, assim nasce o egoísmo, que combinado com sentimentos abstratos de atração inter-seres torna-se uma mistura extremamente explosiva.

A maior forma de egoísmo já registrada nas espécies humanas chamaram amor, principalmente em sua fase inicial ou em seu sintoma primeiro – a paixão.

Quando somos acometidos por tal mal sentimos a necessidade de controle total do objeto desejado, ações, gestos, olhares, tudo, absolutamente tudo têm de passar ao controle da pessoa que se encontra adoentada.

Há casos em que os sintomas aparecem em dois indivíduos, o que gera um isolamento desses seres em uma realidade artificial cercada por idiotices e ações infantis.

O problema é quando os sintomas aparecem em um único individuo nesse caso o objeto de desejo torna-se alvo, não apenas de sentimentos, mas de ações que surgem em detrimento da persistente necessidade que o doente tem de exercer o controle. Perigo a vista.

O conflito é inerente a esse processo, o doente torna-se agressivo, mostra mudanças repentinas de humor, destina impropérios e insultos ao seu alvo visando atingi-lo, mas no fundo busca simplesmente uma atenção que vê desviada de sua ânsia por controle.

Assim sendo o ser humano consegue irradiar sua dor para as pessoas que o cercam, tornando-se agressivo, por vezes apresentando espécies distintas de carência.

Alguns teóricos acreditam que a condição natural do homem é a guerra, e levando essa interpretação ao micro cosmo das relações pessoais parece mesmo demonstrar acerto tal afirmativa.

Há conflitos de larga escala, batalhas estratégicas, muita diplomacia e êxtase nas ruas ao termino das hostilidades. Tudo em nome da realização do próprio ego.

Porém, interpretações de caráter não cientifico observam essa espécie de sentimentos sob uma ótica poética, transformando a proximidade do amor e a da dor em motivo para criação de canções, epopéias, romances e todo tipo de combustível intelectual. Gera inspiração que quando traduzidas em palavras podem efetivamente criar belas obras para as gerações posteriores.

O conflito tornou-se poesia e canção.

E ambos os itens acima citados são utilizados para abastecer ainda mais as terminações nervosas através da criação de imagens, situações e atos que invadem o subconsciente dos doentes levando a estágios ainda mais graves dessa patologia.

Médicos, cientistas, filósofos, boêmios, vagabundos e gênios, todo tipo de mente tentou interpretar essa patologia, que pode se tornar vicio levando o enfermo a não mais conseguir compreender sua existência sem o objeto desejado.

Posto isso, podemos concluir que tal patologia pode surgir a partir de condições ambientais, ou ainda, manifestar-se como reação a vírus, bactérias, infecções ou até predisposição genética. A pior pandemia que a humanidade assiste há milênios e que nenhuma mente conseguiu gerar a vacina.

terça-feira, maio 22, 2007

Ultimo Diálogo.

- Olá querido! – Disse a alva face com negras vestes.

- Que fazes por aqui? Respondeu o rapaz com sua face demonstrando o esgotamento dos últimos dias.

- Pensei em passar pra dar um oi, talvez precise novamente de meus serviços.

Ele se lembrava muito bem da ultima vez que a vira. Havia sangue no ar e estilhaços para todos os lados.

- Nunca é o suficiente pra você não é? Maldita profissão que escolheste. – Sua face não apresentava alterações, havia bastante cansaço para que ele se irritasse novamente com a dama.

- Profissionalismo meu caro. Você pregou tanto isso ao longo de sua vida e agora pede para que eu me furte aos compromissos?

O rapaz enfia a mão no bolso do moletom vermelho e saca de um maço de cigarros americanos, trêmulo, leva um até os lábios ressecados e com a outra mão procura pelo isqueiro. Acende e puxa a primeira tragada, vigorosa. Sente seus pulmões se fartarem de veneno.

Em seguida desvia o foco de seu olhar perdido e encara a moça ao seu lado.

- Por que não se senta? Relaxe, mesmo que isso não faça diferença alguma.

A moça se posiciona à sua frente e lhe afaga a face com suas gélidas mãos.

- Não se preocupe querido. Não quero brigar com você. Venho em paz. Encare como a visita de uma velha amiga.

O vento outonal dos trópicos corria frio. Os cabelos embaraçados se movimentavam levemente, a barba espetava ainda mais com aquela sensação. Havia dias não se barbeava, não havia tempo, não havia vontade.

- Mas vejo seu semblante sereno dessa vez, não ofenderá à Deus hoje? – Perguntou a dama com sua voz suave.

- Não há deus a ser ofendido, o ciclo é contínuo e já me conformei com a perfeita estrutura da natureza. Não preciso ofender a mais ninguém, por enquanto.

- É, não surte efeito mesmo. Já experimentou chorar? Funciona para muitos, não que isso surta algum efeito para mim, não me comoverei, mas dizem fazer bem.

- Por hora aceito o conselho, mas o reservo para mais tarde. Quem sabe a escuridão seja uma boa máscara para disfarçar a fraqueza.

A mulher se senta e observa o movimento de luzes amareladas na via pública.

- São todos tão frágeis. E criam tanto em torno disso, não adianta seguro para a vida. Por vezes me divirto com tamanha ganância, até na hora da passagem é isso, preocupação com o dinheiro.

- As regras são outras aqui em baixo minha amiga. A humanidade adora seus vícios. São necessários para o próprio sentir-se humano.

- Bom, meu tempo se esgota, prepare os ritos, é chegada a hora.

- Sem ritos, deixe-me acabar o cigarro.

No ultimo trago o ser em negras vestimentas encosta a mão no ombro do rapaz.

As tosses são incessantes, o escarro rubro tinge a sarjeta.

Ele observa as estrelas calmamente em meio à crise, não há sentimento e o céu se aproxima cada vez mais, ele joga seu corpo rumo à imensidão calma do passeio público.

Os olhos cerram.

Rola a bituca pela valeta, queimando lentamente até ser tocada pelo sangue que a faz apagar.

Para sempre.

segunda-feira, maio 21, 2007

Saco cheio de sacos vazios.

É essa mesma a idéia! Estou de saco cheio.

Esse estado de saco-cheisse decorre principalmente da ausência de conteúdo da maioria dos sacos.

Há sacos loiros, morenos e até saco roxo.

Há sacos costurados por Vitton, Hercovich, Versolatto. Belos sacos digam-se de passagem.

Carros sem motores, livros sem páginas, mas esses sacos não carregam livros. São embalagens promocionais em edição limitada, somem rapidamente do mercado e algum tempo depois nem lembramos que existem.

Em muitos casos ocorrem rearranjos de funções, o belo saco que carrega uma peça de vestuário caríssimo depois de um tempo vai pro puxa-saco de pendurado atrás da porta da cozinha e é reutilizado para coisas muito importantes como por exemplo acoplar lixo na cestinha ao lado da geladeira.

Cumprem sua função social.

Ou são reciclados, após esse processo se tornam realmente úteis, poupam arvores e auxiliam na bendita auto-sustentabilidade. Mesmo que o façam de maneira inconsciente ou contra a vontade. Sacos alienados.

Minha avó dizia para minhas primas: Saco vazio não pára em pé. Nunca ouvi isso, sempre fui um glutão digno de terras Sicilianas.

Enquanto saco também tenho espaços vazios, faltam alguns toques de subjetividade lírico-amorosa, mas tento cobrir esse espaço com o lirismo-amoroso de profissionais dessa arte. Meu saco tem livros.

Há notas também, 64 por compasso e 6.0 de História do Brasil III. Há livros usados para notas, há notas que mereciam livros e há lixo produzido por adolescentes que são os estereótipos perfeitos de belos sacos vazios.

Talvez troque minha cabeça por um saco de papelão, o João deu a idéia lá no Rio. Se funcionava na aurora do século XX, por que não na madrugada do XXI?

O saco é como o papel, aceita tudo, flores para a amada, remédio, comida, paraísos artificiais, roupas caras, bálsamos maravilhosos para milagres corporais.

Aceita cor, aceita pano, aceita frases sem sentido e com sentido também.

Os sacos continuam dançando ao vento, molhando-se na chuva, ou esquecidos atrás do armário.

São criados, usados e descartados.

Tenho medo da história do saco cheio, enquanto nesse estado; útil; vazio; descartado ou relegado ao seu posto no puxa-saco.

quarta-feira, maio 16, 2007

Viagens Mentais 2: Eu, eu mesmo e um maldito eu escondido em mim.

Eu, eu mesmo e um maldito eu escondido em mim.

É mais ou menos isso, ou apenas confusão mental momentânea. Nada de existencialismo vão, talvez a metafísica não solucione meus problemas, aliás, creio nem eu mesmo poder resolve-los.

Vamos à análise da conjuntura.

O contexto se insere na virada de uma vida normal em uma cidade banal com vivencias banais, nada mais do que construção do eu. O jusnaturalismo agindo livremente em meio à contaminação social do ser.

Mas, como caos matemático, como gotas de líquidos sobre superfícies acidentadas, surge em meio à normalidade estúpida da vida o percalço.

Justamente aí reside o conflito entre o meu eu social, meu eu político e o meu eu lírico.

Meu eu social é uma fantasia lavada e desbotada, sem muita graça, que se esforça para pagar as contas, ou seja, uma débil engrenagem da maquinaria moderna.

Meu eu político está em crise, justamente posicionado entre o eu lírico e o eu social. O que torna a situação ainda mais complicada, posto que esse eu político é o que busca resoluções.

*Pausa no pensamento: desvio mental 1 – Política – Para mim o ato de viver em sociedade e tecer teias comportamentais estabelecendo relações, abrindo caminhos e fechando portas; ato necessário à vivencia em sociedade e à sobrevivência nos meandros obscuros da concreto-armado-ferro-monóxido-de-carbono selva.

Por fim entra o ultimo personagem da dantesca trama, o eu-lírico. Qual é a desvairada face desse eu?

Todas! Posso ser liricamente tudo, Campos, Caieiro, Boca do Inferno, enfim, vários eus. O problema é que minha região helenisticamente bela não tem localização, ainda.

Minha Arcádia pós-moderna talvez esteja reservada em algum canto obscuro da terra onde haja menos monóxido de carbono pairando na atmosfera.

Se bem que vivo em uma localidade onde não há tanto monóxido de carbono assim.

*Pausa no pensamento: desvio mental 2 – Ares com menos monóxido de carbono excluem meu quarto de dormir impreguinado com a queima de tabacos.

Retornemos à Acádia, ou Éden ou Valhalla ou Olimpus ou sei lá que porra de nome dar a um não-lugar onde encontrarei paz. Penso na Palestina, mas não conseguiria me manter alheio à matança divina.

Contratarei um pacificador, suíço, ou holandês. Esse povo entende de não se meter em assuntos que não lhes dizem respeito. Não. Já desisti da idéia do pacificador, preciso de alguém que tome posição frente aos eus em conflito.

*Pausa no pensamento: desvio mental 3 – Psicologia: Ciência que estuda as idéias, sentimentos e determinações cujo conjunto constitui o espírito humano. (Não)

Psiquiatria: Parte da medicina que estuda as doenças mentais.

Estarei eu doente? ou criando doença? se estiver doente, psiquiatria, caso invente essas doenças, psicólogos.

Droga. Eu social, Tchau!

Eu político, CPI pra você!

Garçom! A saideira e fecha a conta.

sábado, fevereiro 17, 2007

É Carnaval

E lá estão eles a desfilar seus sorrisos em almoço extra-oficial na casa do Ministro.

Senhor Moreira Passos, ministro da cultura em terra de bananas, Yes, nós temos swing, e a ONU nunca mais será a mesma.

Todos se esbaldam com a doce miscelânea sonora promovida pelos batuques afro-brasileiros-universais de nosso sério ministro Moreira Passos.

Tradição desgastada, não mais um branco rechonchudo róseo, desta vez, negro, magro, com cabelinho dread lock e desconfio, deve gostar de dar um dois pra ouvir stéreo.

Tem foto em jornal, grava Bob e desfila seus sorrisos ao lado do parceiro-brother-in-soul Caê.

Já foi mandado embora, voltou, e agora vai, oficialmente a qualquer lugar do mundo como o ministro mais samba-esquema-oficial do mundo.

“Só ponho bebop no meu samba quando Bush pegar no tamborim”. Aí sim veremos a romântica cena, sangue escorrendo no coro do instrumento. Como um desfile de escola de samba em que os músicos colocam a alma nas mãos para fazer brilhar o carnaval. Pena que não seja esse o caso do específico sangue que escorre das mãos do Bush. Aliás, creio que também não ouça bebop, “É som de preto, de favelado”, de vagabundo iluminado.

E outra, Bush, o estereótipo do branco róseo texano, orgulho da idolatrada White-anglo-saxan-protestant sociedade americana.

Mas Bush dançou? Ou dançará ao lado do pretinho-baiano-ministro-da-cultura?

Acho difícil, mas mantendo as tão louvadas tradições diplomáticas brasileiras, ele, Moreira Passos, ministro da cultura, faz o mundo sambar.

E lá estão todos, sorrindo, tem gringo no samba – “Moulata, Ceourveja, Samba” dedinhos ao ar. É carnaval.

E cá estou eu, “é né, pois é”, raios de luz abençoam as tropicais terras brasilis.

Tem dj Inglês. Pira, semelhanças totais entre as margens do Tamisa e sua fog com a Praça Castro Alves, que é do povo se tiver um abadá de XXXXXX reais. E como tem gringo, dedinhos ao ar “ceourveja, moulata, samba” e eletrônico.

E sai o Expresso, rumo à estação Finlândia Levando a Revolução para terras eslavas? Não não, esse expresso tem nome, 2222, e sobre ele, Moreira Passos, que um dia já foi conhecido como Gil, simples assim – “lá em Londres” – terra de dj que se apaixona pelo calor, swing “moulata, ceourveja, samba”.

Que os blocos sejam postos na rua, e que as ruas sejam preenchidas com o povo, sem abadá, branco, preto, azul, amarelo, vermelho, verde.

“Pra tudo se acabar na quarta feira”

domingo, novembro 26, 2006

Viagem: Busca por uma Percepção.

Tudo é calmo em uma manhã dominical de uma família de descendentes de misturas étnicas nos trópicos.

Como a canção que soa chiada no rádio à pilha, como os grunhidos do velho ventilador que vê sua força se esvair devido a idade.

Os sentidos tomam sentidos adversos e não consigo direcioná-los.

A humanidade por vezes nos impede de sermos mais humanos. Acho que posso dialogar com Ginsberg no momento em que se diz encantado por anjos ou alguma nova máquina.

A angelical maquinaria seduz os limitados glóbulos oculares. E de tão limitados nos limitam à humanidade.

Tudo ao nosso redor parece ser um limitador, não que Huxley tenha atingido uma nova percepção da realidade, apenas expôs uma possibilidade.

O léxico infindável e criativo da mente humana gerado ao longo dos anos em símbolos fonéticos multifacetados que nos permitem exprimir. Sentimentos, viagens, percepções.

O homem segue com seu quebra cabeça, com seus dominós enfileirados em direção ao infinito, caindo um a um lentamente, tão sublime quanto boulevares neo-clássicos pós 1860 e coreografias que esbarram às portas da perfeição treinados à exaustão em temperaturas sub zeros nas tundras eslavas.

A humanidade se cegou pela tecnologia, mas um dia seremos tecnologicamente humanos a ponto de criarmos sentimentos.

A química imperfeita do amor, a matemática de um sorriso, a física do ato sexual. Tecnicismos abstratos que não explicam nada.

A química se reflete no toque dos amantes, as mais complexas equações vão por terra frente ao sorriso que cria calor em corações, a física fez novamente seu papel. Dê me o calculo exato da quantidade de energia gerado no momento do êxtase de uma mulher.

Nesses pequenos fragmentos de extrema abstração talvez possa crer na presença de Deus, ou não buscar o místico e entregar-me ao fato de que mais do que as explicações, os embates científicos, as publicações, estamos exercendo nosso sagrado direito de sermos humanos.

A perfeita imperfeição do livre arbítrio, a condição negada aos anjos.

Os paradoxos que criamos apenas para que possamos nos sentir uns aos outros.

O ciúme, a inveja, o desejo, o carinho, todo o leque de sentimentos abstratos que um ser pode perceber fluir por entre as entranhas da criação.

O ultimo suspiro e o primeiro choro. A vida e a morte, a consciência irracional dos sentimentos. Sabemos-nos humanos. Humanos demais para que nós mesmos possamos explicar-nos.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Mutação

O orvalho da manhã acariciava com leveza as verdes folhas.

O início da mutação natural, não uma evolução; transformação, mudança.

A mudança era o receio da pequena flor.

Via a vida desabrochando a todo momento, cadáveres que fortaleciam as raízes de sua mãe. O putrefato que gera vida.

Era assustador a sensação de se imaginar para morrer. Um rompimento muito forte que lhe causava náuseas. Medo.

A definição abstrata do medo, o sangue frio, suor gélido, o estômago carregando o peso de um engarrafamento de caminhões em metrópoles cosmopolitas.

A vida se abre ao mistério. Incerta incerteza. Seria realmente uma incerteza? Ou a certeza de mais uma peça aprontada pelos Deuses.

Se Poseidon abriu os mares aos portugueses, o fechou à Odisseu. Pobre Odisseu, tudo por sua flor. Uma flor que desabrochou na aurora dos tempos e que após findar foi colocada em um livro tecido com o couro de suas criações. A flor se tornou uma múmia seca e imortal.

Mas haviam perguntas a serem feitas. Sempre há. Os deuses possuem a onisciência, mas não o livre arbítrio. Esse é o ponto que nos nega a onisciência, podemos escolher e as escolhas não são certas, geram as dúvidas, sendo assim, somos nós os criadores, pois criamos as dúvidas e buscamos a resposta, às vezes por toda a existência e no final, nada encontramos.

Não há o que se buscar, há o que se viver.

E a vida desabrocha, o botão se converte em flor, embeleza os campos, energizando com sua fragrância todo um espaço aberto à possibilidade.

Talvez a flor apenas se preste a isso, embelezar um espaço. Mas o livre arbítrio.

Essa flor pode gerar emoções. Um amante a colhe com o coração acelerado. A entrega a sua amada, é o início do desabrochar de mais um sentimento. E aquela flor habitará para sempre a memória de seu destinatário, enfeitando o beiral de sua cama e posteriormente sendo colocada em um livro antigo no canto da estante.

Mas sua memória será eterna.

As mutações naturais, as mutações induzidas, as dúvidas naturais e as duvidas induzidas. Dúvidas transgênicas geradas no momento em que um participante da divinal suruba se perde na multidão.

A tão vasta e colorida multidão, com suas cores, raças, credos, vícios, alegrias e medos.

Observe a multidão, sinta o psicodélico caleidoscópio de experiências que somente o individual observando a coletividade é capaz de sentir.

E novamente retornamos às perguntas que nunca se explicam. As perguntas que levaram a humanidade a organizar conglomerados religiosos que vendem esperança.

Quer esperança pergunta o poeta?

“Invente-as”.


PS: Para um dia 20 de um mês de primavera nos trópicos.